Aprendizagem-criação x Ensino-reprodução

A partir de 2009, a conversação na Escola-de-Redes – com Nilton Lessa, Luiz de Campos Jr e vários outros – foi revelando que a aprendizagem envolve sempre criação (você só aprende verdadeiramente o que inventa, uma sentença talvez inspirada no poeta Manoel de Barros: “Tudo que não invento é falso”). Ao contrário do ensino, que envolve sempre reprodução de um conteúdo, a transmissão ou inculcação de um ensinamento. Descobriu-se que – ao contrário do que se propaga – o ensino não é o antecedente lógico da aprendizagem e que o ensino se constituiu não a favor, senão contra a livre-aprendizagem (toda livre-aprendizagem é desensino). Essa compreensão está registrada em vários textos, especialmente em dois: Buscadores & Polinizadores (nas suas quatro versões, a última de meados de 2010) (1) e Multiversidade (2012) (2). Posteriormente, no processo de elaboração do texto Co-Criação: Reinventando o conceito (2012) (3) ficou claro que essa contraposição (Aprendizagem-criação x Ensino-reprodução) vai além do âmbito, por assim dizer, educacional, para se referir aos ambientes sociais, empresariais e governamentais de maneira geral. A escola como burocracia do ensinamento não é o único exemplo. Também são campos de reprodução as igrejas, as corporações, os partidos, os Estados e as empresas hierárquicas. Na verdade todas as organizações hierárquicas são campos de reprodução e, em um sentido amplo do conceito, são escolas (campos de reprodução da Matrix, foi uma metáfora muito utilizada). Em contraposição, todos os ambientes conformados por redes distribuídas (ou mais distribuídas do que centralizadas) seriam campos de criação. Em Fluzz (2011) (4) essas concepções já haviam sido expostas ou esboçadas (nas cinco primeiras seções do Capítulo 7 e nas duas primeiras do Capítulo 8).

Augusto de Franco